viados
Outro dia estava fazendo uma horinha e lá pelas tantas ouvi uma senhora falando para outra: “não deixo meu filho com ele, ele é viado!”.
Viado, como todos sabem, é a forma abreviada de falar: “minha religião reprova sua preferência sexual e como eu não sei pensar por mim mesma, morro de medo do diferente e acho que isso me dá o direito de tripudiar outro ser humano que nada me fez”.
Dei um suspiro, olhei para o relógio. Ainda tinha bem uns 40 minutos para matar. Calculei o tempo que levaria batendo boca com as senhoras e achei que seria um bom passatempo.
— Desculpe, mas o que a senhora tem contra gays?
— Como? Ah, nada, imagine!
— A senhora acaba de dizer que não deixa seu filho com alguém por ser gay.
— Ah, aà é diferente. Não quero meu filho perto de certos exemplos.
— A senhora tem medo que seu filho vire gay por conviver com um gay, é isso?
— As crianças repetem o que vêem.
— Então, pela sua lógica, não existiria nenhum gay no mundo, já que todos nós, necessariamente nascemos de um pai e uma mãe. Portanto a espécie humana inteira tem, em sua origem, um exemplo heterossexual. É claro que precisamos dar informações na medida que as crianças podem absorver, de acordo com o seu desenvolvimento pessoal, e isso inclui sexualidade, seja ela qual for, Ãndio queimado na rua e criança jogada pela janela. Tenho certeza de que assim como a senhora não conta para o seu filho os segredos de alcova do senhor seu marido, o rapaz gay tampouco terá esse tipo de conversa com a pobre criança.
— Não tinha pensado sobre isso.
Droga. Não durou nem 5 minutos.















