velha
Eu sou do tempo em que Plutão era um planeta.
“A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber.” - Carta a El Rei D. Manuel, por Pero Vaz de Caminha.
Piercings no rosto me dão nervoso porque eu não consigo conversar com a pessoa e impedir o meu olho de ser atraÃdo magneticamente para o objeto espetado e isso, dependendo da ocasião, pode aborrecer meu interlocutor. Adoro tatuagens, de toda forma e espécie.
Independente de opiniões pessoais, tenho grande dificuldade de entender o pré-julgamento de alguns.
Ouvi hoje, em um elevador, de uma moça nova, seus 22, 23 no máximo, do tipo na moda: “ah, eu não confio nele, ele tem um piercing no nariz!”. Precisei torcer o meu fÃgado para não responder: “e você tem dois piercings nas orelhas, deve ser uma pessoa terrÃvel!”.
Ando muito pouco paciente com a humanidade.
Males, que contra mim vos conjurastes,
quanto há de durar tão duro intento?
Se dura porque dura meu tormento,
baste vos quanto já me atormentastes.
Mas se assi perfiais porque cuidastes
derrubar meu tão alto pensamento,
mais pode a causa dele, em que o sustento,
que vós, que dela mesma o ser tomastes.
E, pois vossa tenção, com minha morte,
há de acabar o mal destes amores,
dai já fim a um tormento tão comprido,
porque d’ambos contente seja a sorte:
vós, porque me acabastes, vencedores;
e eu, porque acabei de vós vencido.
- LuÃs Vaz de Camões
Hoje eu sei que quem me deu a idéia
A idéia de uma nova consciência e juventude
Está em casa guardado por Deus
Contando o vil metal
Minha dor é perceber que apesar
De termos feito tudo, tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais
Esta é uma música linda que eu nunca consegui entender de verdade. Meus pais são revolucionários e nunca ficaram em casa contando o vil metal. Não faço idéia de como é uma pessoa ficar triste por ser e/ou viver como os pais. Aliás, ficar guardado por Deus é um conceito completamente obscuro. Se os deuses teoricamente tomam conta das almas então guardado por um deus é um defunto ambulante ou algum tipo de gato de Schrödinger e tanto um quanto o outro me parece bastante perturbador.
Tem uma coisa que eu entendo: viver é melhor que sonhar.
Não fujais, covardes e vis criaturas; é um só cavaleiro o que vos investe.
Dom Quixote de La Mancha briga com moinhos de vento que encontra pelo caminho. Refere-se a eles como os desaforados gigantes e, claro, é tido por louco.
Todos nós temos dias de Quixote e dias de Sancho mas é triste é quando todos à sua volta só enxergam simples moinhos o tempo todo.
A capacidade de se ver sob outro ângulo deveria ser matéria obrigatória na alfabetização.
Um amigo querido está concorrendo ao BBB.
Nunca assisti esse treco e, mesmo que ele entre, continuarei não vendo. Aliás, nem tenho Globo em casa.
De toda forma… O Rapha é um violinista brilhante e talentoso (não, eu não tenho a menor idéia do que o levou a fazer um treco desses) e é muito do bem. Gosto imensamente dele e espero que ele consiga tudo que quer na vida.
Então, se você tiver aà à toa, entra lá e vota no meu amigo, please.
Merci.

Eu era fã do dicionário Aulete Digital, que usei até este preciso instante.
Hoje lançaram a versão online. Continua gratuita e aberta mas vem com uma novidade: colaboração.

Não gostei. Dicionário é o tipo de coisa que eu quero ter certeza de que foi um linguista que fez o verbete. A confiança vai por água abaixo quando o autor não é alguém especializado. Eu já tenho um pouco desta sensação com a wikipedia, mas com dicionário acho ainda mais grave.
Ah, em tempo: o jogo da forca é divertidÃssimo!

Recebo um spam como se fosse de um banco no qual eu não tenho conta, com o assunto “informações importantes sobre sua conta”. E o preview do email começa assim “Prezado Antonio Carlos…”, com um arquivo anexado chamado extrato.jpg.com.
Claro, claro.
Comentei do absurdo com um amigo via skype e ele me pergunta “ué, mas .com não é um endereço de internet?”. Depois de torcer o fÃgado dele, achei melhor explicar.
Sim, .com é o final de endereço de internet. E também é um arquivo de comando, ou seja, um arquivo executável.
Como saber a diferença?
Simples.
Qualquer arquivo anexado com final .com, .exe, .bat são executáveis. Veja uma lista completa de arquivos executáveis aqui. Então, se receber qualquer arquivo anexado com esses finais, não abra.
Existe uma corja de sem-mães que tentam te confundir, passando o endereço na internet de um arquivo executável. Esse exige um pouco mais de atenção.
Os endereços na internet são construÃdos da seguinte forma: http (Hypertext Transfer Protocol), “://” alguma-coisa.alguma-coisa. Se você encontrar endereços que tem algo depois disso, ou seja, por exemplo, http://www.vignamaru.com.br/links/ e esse “depois” não tiver ponto-qualquer-coisa, a princÃpio não tem problema (é como uma pasta no site). Ou, ainda, se terminar com .htm, .html, .asp, .php, enfim, ponto + alguma linguagem de internet, também é um site e não um arquivo. O que vem entre o primeiro par de “/” e o terceiro “/” é sempre um endereço. Depois dele é um arquivo. Pode ser uma página do site (tudo bem) ou um arquivo executável (perigo, perigo) e é aà que você precisa prestar atenção.
Se você encontrar algo como http://www.blablabla.com/pqp.htm.exe, cuidado! Isso é um arquivo executável. O seu olho deve sempre ir para o final. Em informática esse sufixo quer dizer muita coisa.
Lembra do tempo em que o sobrenome da pessoa era importante? A moça ia lá apresentar o namorado e a primeira coisa que perguntavam para o rapaz era o sobrenome, de que famÃlia era.
Então, na internet é a mesma coisa. Para saber se o arquivo é de uma “famÃlia de bem”, basta olhar o seu sobrenome.
Resumindo:
http://qualquercoisa.com/ -> ok.
http://qualquercoisa.com/qualquercoisa.php -> ok.
http://qualquercoisa.com/qualquercoisa.htm -> ok.
http://qualquercoisa.com/qualquercoisa.com -> executável
http://qualquercoisa.com/qualquercoisa.bat -> executável
http://qualquercoisa.com/qualquercoisa.exe -> executável
Gente, presta atenção!
“Vocês tem piscina?”
“Temos, se o tempo estiver bom na época, nós a habilitamos.”
“Ah, em novembro costuma ser bem quente.”
“Agora tá um friiiiiiio.”
“Tenha fé, vai melhorar. Obrigada.”