Index Librorum Prohibitorum
Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Düa austera, apagada e vil tristeza.
(Os LusÃadas, Canto X, 145)
Minha mãe, escrevendo sobre o barroco, conta que utilizamos 40% do vocabulário de um século atrás e portanto o estilo, em sua época, não era considerado tão excessivo como o é hoje.
Tenho cá minhas dúvidas. Vivemos hoje em um perÃodo nouveau barroco (não tem nouveau riche? então!) por conta da quantidade de informações que paradoxalmente convivem com a total ignorância imposta pela religião. Em plena Era do Conhecimento, nos deparamos diariamente com absurdos cometidos em nome da fé. Duvido que a quantidade e velocidade de dados simultâneos tenha sido superior em algum momento histórico. E, mesmo com toda essa informação, a humanidade está em um de seus momentos mais reacionários e imbecis.
Recentemente soube que um amigo poeta foi demitido por causa de seus poemas. Fico na dúvida se me irrito com o absurdo ou se me alegro com o poder da pena.
Enquanto faço aqui as minhas rotineiras trezentas coisas simultâneas e leio/estudo outras tantas fico esperando que a qualquer momento o ConcÃlio de Trento publique um adendo à Sagrada Escritura classificando o CSS como pecado. Eu, que tenho três gatos, logo logo serei perseguida como bruxa, é só uma questão de tempo.
A religião é a maior prova de que Nelson Rodrigues estava certo sobre as maiorias.
A internet é a maior prova de que quantidade de informação não é sinônimo de conhecimento.
Ainda estou esperando um Velázquez ou pelo menos um Vermeer. Tudo bem, um Gregório de Matos e não se fala mais nisso.
em tempo: Camões cá está não por acaso ou por afeto, mas por ser justamente a sua morte que marca o inÃcio do barroco.







