10 Abril 2008

Como faço para trabalhar de fotógrafo freelancer numa revista internacional?

Meu editor no Carreira Solo, Mauro Amaral, gentil como sempre, sugeriu que um comentário-resposta que escrevi fosse transformado em um post inteiro . Como se não bastasse o apoio dele (e bastaria!), o Mauro ainda fez uma super revisão e copy-desk que até me fazem soar inteligente. Fiquei muito feliz. Obrigada, Mauro!


Como faço para trabalhar de fotógrafo freelancer numa revista internacional?

Você tem uma câmera. Você tem um estúdio. Você tem até talento e um belo portfólio. Mas isso não é tudo quando se trata da vida de fotógrafos freelancers e mercado editorial.

Sempre dá para chegar melhor e mais rápido onde se quer acumulando conhecimento e experiência de outros trabalhos e desafios parecidos.

Reuni aqui algumas dicas baseadas em minha experiência que, claro, estão abertas a sugestões e adendos. Este post começou como um comentário na minha primeira participação aqui no Carreirasolo.org e, portanto, é um “work in progress†.
Regra Geral
Para começar, revistas como a National Geographic , acredito, costumam trabalhar de duas maneiras:

1 - convite (eles entram em contato com o fotógrafo para um determinado projeto) ou,
2 - projeto (você envia um projeto, normalmente já meio encaminhado, e eles aprovam).

Até onde eu saiba os fotógrafos do staff deste tipo de publicação são headhunted , ou seja, escolhidos por eles e não selecionados por contato direto.

A maioria das publicações possui regras muito definidas e claras sobre colaborações e possíveis contratações. A National Geographic , só para citar nosso exemplo, não é exceção e tem até um Faq sobre o assunto .

E de nada adianta você tentar vender algo para alguém que não quer comprar. Sempre haverá alguma publicação procurando o material que você tem, é só uma questão de procurar e se adequar.
Dicas
Você tem portfolio online? Pode ser uma boa forma - mesmo que em um Flickr ou um Carbonmade da vida - de ser visto, conhecido e chamado para os assignments.

Outra forma bastante eficaz de ser contratado é pertencer a uma agência de imagens. A própria Corbis , por exemplo, avalia portfolios para inclusão em seu banco de dados de fotógrafos. Isso vale para qualquer tipo de publicação.

Vale a pena, mesmo que talvez não financeiramente no início, entrar para organizações grandes como essa por que são eles que os editores procuram quando querem alguém novo.

Outro caminho, mas isso é apenas para poucos felizardos, é conseguir um agente , ou um “art dealer †para continuar nos jargões (e facilitar a sua busca no Google). Conselho: quando você conseguir um agente lembre-se sempre de enviar o contrato para algum advogado da sua confiança. Não assine nada antes de entender completamente as consequências do que você está assinando, ok? A grande maioria dos agentes de fotografia é correta e profissional mas infelizmente ética não é uma lei da física.
Enquando isso…na terra dos papagaios…
Isso tudo que falei acima é em termos de mundo. Quando falamos de Brasil isso é verdadeiro também mas o poder do boca-a-boca ainda é muito grande e um contato com editores diretamente pode ser um bom caminho.

É legal também acompanhar algumas revistas do meio , para começar a saber quem é quem na indústria. Recomento da Editor & Publisher , a Publishing News inglês e o Publish News brasileiro (tem até uma newsletter).

Estas revistas falam muito do mainstream , e muitas excelentes publicações e/ou editoras ficam de fora, mas ainda assim vale acompanhar como termômetro do que está em moda e, conseqüentemente, de que tipo de trabalho estão “comprandoâ€. Por falar em “comprarâ€, é bom sempre dar uma espiada na Media Job Market também.

Importante: lá fora existe a distinção entre o “editor†e o “publisher†. Normalmente quem bate o martelo final sobre imagens é o publisher, não o editor. São poucos os lugares como o Brasil, onde o editor e o publisher são uma pessoa só.

Ah sim: aconselho a primeiro fazer um portfolio online e depois enviar cartas curtas e simpáticas - (curtas, já falei curtas? curtas é importante!) - para os editores se apresentando e dando o endereço do seu portfolio.

Não esqueça de fazer o famoso fup (follow-up) , ou seja, ligue e pergunte se recebeu, se viu, se gostou, essas coisas. E claro, não esqueça de fornecer formas diferentes de contato (email, tel, celular, sinal de fumaça, qualquer coisa que você atenda sempre).

Os periódicos de natureza documental e/ou científica costumam funcionar muito mais por projeto. Vamos documentar as antas no cerrado! Aí você vai, escreve o projeto, apresenta e manda. Depois de você já ter feito um projeto desses, passa a ser conhecido e considerado por aquele periódico no quadro fixo.
Para fechar
Eu estou preparando um artigo com o perfil das editoras brasileiras, o que cada uma prefere publicar, endereço de contato, etc. Tá dando um trabalhão mas vai valer a pena. Será uma fonte de consulta valiosa para todos que quiserem enveredar por esta aventura que é publicar e…enfim…ser lido.