19 October 1996

Troppo

Estava distraída
quando o conheci.
Estivesse atenta,
fugiria.

Clássico,
desde sua música
até sua filosofia
pagã,
me toca.

Toca como
fosse eu
seu mais
velho amigo,
seu piano.

Interpretou
minha partitura
sem pudores,
sem erros,
sem caridade,
sem falsidade.

Ao tornar-me
translúcida
libertou-me.

Espera,
não mais
por muito tempo,
alguém
que o decifre
e consequentemente
se torne
sua ruptura.

Todo sistema
só pode ser
rompido
e corrompido
se compreendido.

Bom músico que é,
vive sistemas.

Emociona
com o olhar
seguro
de homem feito,
com as mãos
firmes
de pianista,
com seu cheiro
de mi maior.

Sua métrica tem
cinco linhas
paralelas.

Maestro
de sua vida,
aguarda
a orquestra.

Diariamente se une
à alma humana
através da emoção.

Ofereço aqui
humildemente
meu mais eterno
sentimento:
amizade.

Allegro
ma non troppo,
segue
seu caminho.


publicado no portal de literatura e poesia Carus Ara.