Integrando
Ele, que ainda tinha a ilusão de deter o controle sobre sua vida, respirava aliviado.
Triste perceber seu cartesianismo. Ele ainda não tinha aprendido o suficiente da vida para entender a dialética. O peculiar é que tinha vivido diversas situações com potencial de riqueza bastante alto, mas aparentemente não foi capaz de compreender o que acontece. Insiste na lógica formal. A realidade não existe se não for uma concepção estética dela mesma. Existe um erro na matemática, que é a suposição da existência de regras. A vida gastou um tempo absurdo tentando lhe ensinar algo. Ele sequer ouviu.
Busca a perfeição, grave engano. Busca a harmonia, doce ilusão. Busca ser seu próprio Deus, estando assim, gradativamente mais distante.
Respirava aliviado por não ser mais obrigado a suportar o niilismo dela, que por sua vez havia simplesmente desistido. Ele nunca foi capaz de compreender a existência dela, como ser humano desprendido de valores. Ela era simplesmente amoral.
Ela escrevia. Escrever é terrÃvel. É doloroso como um parto.
Ela costumava dizer que escrever, para ela, era como carÃcias preliminares. Essenciais, mas angustiantes até que acabem e se resolvam em algo concreto. Mesmo assim, ela escrevia o tempo inteiro. Mesmo quando não estava digitando, escrevia em sua mente. Como uma máquina fotográfica, transcrevendo a realidade para o papel. Tentando incessantemente representar a estética dos acontecimentos.
A preocupação dela pelo lógico era absolutamente inexistente. O que não significa, de forma alguma, que era uma pessoa puramente emocional. Era apenas livre. Essa liberdade, por sua vez, a impedia de compreender qualquer ato social.
Foi assim, por um problema aritmético, que a relação deles acabou.







