Happy hour
Ficavam por horas ali, na mesa fria de metal num bar do Centro. Debaixo da garoa, vencendo o cansaço, vencendo a vontade.
Não viam os mendigos, não viam as crianças, não viam a fome, a miséria, o mundo.
Estavam cegos e surdos. Burros sempre foram.
Não viam os companheiros. Não viam a famÃlia.
Tudo em prol da empresa, quase acéfalos.
Esqueciam compromissos.
Esqueciam do tempo, do mundo, do jornal, da mulher, dos filhos, até mesmo do futebol.
Iam assim, esquecendo e bebendo até o motel.
Viviam a vida vazia do glorioso mundo de negócios.
Viviam o esquecimento, a solidão, a angústia, a hipocrisia.
Viviam, por fim, a inércia aprendida.







