Cláudio Octávio
Tive uma vez um irmão.
Reencontros são, na verdade, uma ironia da gramática. Nunca se reencontra a mesma pessoa e nunca somos os mesmos. Necessariamente, sucumbem à desilusão.
Aqueles que amamos desaparecem, surgem, no lugar, outras pessoas.
Memórias bonitas que me deixou.
Memórias de infância são sempre bonitas porque nunca são a realidade.
O irmão começou a cobrar. Mas não havia o que cobrar. Era um irmão imaginário. Filho de uma famÃlia imaginária, vivendo numa casa imaginária.
As memórias eram doces. Doces com sabor de infância. Doces com sabor de ilusão. A ilusão é doce e infantil.
O mérito do imaginário é indiscutÃvel. Proporciona emoções inviáveis. É o ópio da criança.
Tive talvez um irmão.
Tive uma vez um irmão virtual.







