Carta a um amigo
Escrevo por impulso.
Talvez isso não faça qualquer sentido, mas decidi correr o risco.
“… Carrega nos seus braços a criança chorosa…
Mas nos seus braços a criança estava morta…â€
O despertar de um pesadelo é muitas vezes mais cruel.
É belo o amanhecer, porque é o sorriso daqueles que me esperaram despertar. É o sorriso da liberdade.
Coloquei o roteiro em uma gaveta, esperando madurar, como o desenho de uma música qualquer.
Tenho fôlego.
Johann Wolfgang von Goethe.
A febre foi contida.
A realidade me acalenta.
Ich liebe dich.
Gostaria de acreditar em histórias com começo, meio e fim, mas não consigo. São fantasias que se realizam, outras que nascem, e a história continua, como um peão de criança em festa junina.
Gostaria de acreditar em destino, mas não consigo. São idas e vindas que traçamos com absoluta consciência e vontade.
Gostaria de acreditar em paixão, mas não consigo. O tempo vagarosamente provou o contrário.
Apenas cúmplices de uma vida.
“Gracias a la vida, perfectamente distingo lo negro del blancoâ€.
Gostaria de acreditar na razão, mas não consigo.
Gostaria de acreditar em sonhos. Felizmente, ainda consigo.
O racional e lógico não me dizem mais nada. No sonho e no desejo encontro o que procuro. Semi-platônicos, ainda não realizados.
Um desejo quase impune por ser autista.
O desejo de um amor que emule a vida, que anule a morte.
O cansaço me vence.
Boa noite.
publicado no Jornal de Poesia e no portal de poesia da Casa do Bruxo.







