Autista
Decidi, finalmente, libertar-me.
Rompi o cordão umbilical de alguns, rompi o laço mágico da famÃlia, rompi as algemas do orgulho, enfim, rompi-me por completo.
Rompida de meus referenciais, volto a te buscar. Resgate de um parâmetro.
Graciosamente, você não me quer mais.
Estrangeiro a mim e a meu mundo, parece saltar de um quadro de Salvador Dali, surreal.
Decidi, finalmente, ignorar.
Ignorar o medo, a vergonha, as opiniões, os outros, ignorar você.
Apenas assim, ignorando você, sou capaz de ignorar-me, romper-me, partir.
Devo confessar um certo alÃvio cruel na ruptura.
Na ruptura com o mundo.
Finalmente, autista.
Sigo agora em busca do Eu que se perdeu.
Sigo agora em busca do Você que nunca foi.
Sigo agora em busca da paz.







